domingo, 6 de dezembro de 2009

Inferno Astral


Existem momentos em nossas vidas que parece existir uma conspiração astral contra nós. É quando um verdadeiro inferno se instala em nosso ser. Será falta de Deus, de fé, amor? Não sei. A realidade é que nada consegue afastar das nossas mentes e coração a sensação de insatisfação, raiva, angústia e depressão. O vazio e a solidão se instalam pouco a pouco, dominando nossos sentimentos. Neste instante, nossos valores e crenças parecem se distanciar de nossa realidade. Parece até que ficamos paralisados, esperando um milagre que nos arrebate desta apatia. E o desalento continua, o desejo de que tudo seja diferente também. Quem sabe se pudéssemos viver uma outra vida, com outras pessoas, outra história, onde tudo seria cor-de-rosa? Mas a realidade é "nua e crua", e , na maioria das vezes, é sarcástica.

As pessoas talvez possam ser a solução, mas e quando ninguém, além de você mesmo, está interessado em seus problemas, afinal, já bastam as mazelas de cada um.

A sensação de desencanto, de morte súbita da esperança, é como um trem desgovernado indo de encontro ao fim. Mas para muitos, o fim é o recomeço, e até nisso existem controvérsias. O mundo é um paradoxo infindável. Tantas diferenças, tantas atrocidades, desigualdades, que se manter feliz é tarefa hérculea. Para muitos ela está nos bens materiais, na beleza, no status social, mas, para mim, ela poderia ser resumida no amor, ou na falta dele. No amor que se recebe, ou não; que se doa, ou não; tarefa ainda mais difícil, é não deixar que este sentimento se perca em meio às tribulações mundanas. Entretanto, só nos restam duas opções: desistir ou continuar. Vencer os obstáculos, vencendo primeiramente a nós mesmos, ou ....

Mais uma vez a escolha é nossa, e como tudo na vida, em qualquer das opções a batalha é certa e a vitória? será sempre uma incógnita.

domingo, 15 de novembro de 2009

O mundo da imaginação


Às vezes me pergunto qual o limite entre a razão e a ilusão?
Nos sinuosos caminhos da vida existem momentos em que sentimos necessidade de nos abstraírmos do mundo real para viver em um mundo paralelo , dentro da nossa imaginação.
Quando crianças vivemos fantasiando, criando amigos imaginários, tentando contradizer a realidade do nosso dia-a-dia. E é daí que surgem as princesas, os príncipes encantados, os astros de cinema; afinal, neste mundo só nosso, podemos ser o que quisermos.
E certamente se engana aquele que acredita que os adultos não vivem neste mundo de ilusões. Ou será que assim como a inocência, a irresponsabilidade, a despreocupação; quando maduros, temos que perder também nossa imaginação, nossos sonhos, desejos - por mais absurdos que sejam - para viver somente a dura vida real?
E como é bom criar! Saber que o nosso pensamento é livre e que para ele não existem barreiras físicas, distância, diferenças sociais, preconceito... Enfim, não há limites quando o assunto é fantasiar. Então se utilize desta poderosa arma para viajar!
Já não é mais uma criança? E daí. A boa notícia é que para sonhar também não existe idade. E a mente só envelhece, se você não exercitá-la.
Entregue-se a esse delicioso devaneio interior e se permita percorrer trajetos desconhecidos, enbrenhando-se em locais jamais visitados e criando o seu mundo ideal.
E não importa se o que te faz feliz é ser um pop star - que seja - não custa nada imaginar. Se está à procura de uma ilha perdida, um paraíso encantado, feche os olhos e se sinta lá. Ou se a sua busca é por um amor perfeito, apenas use sua imaginação. Nela não existem diferenças e o passeio é gratuito.
Loucura? Não. Seríamos loucos se nos dedicássemos apenas a viver as agruras da realidade. Nela estaremos sempre condicionados aos acontecimentos, pessoas, ao governo; à mídia, às nossas necessidades pessoais e às dos outros. E por mais que tenhamos a vaga sensação de controle, seremos direcionados.
Então,vouala! Entregue-se à flânerie e perca-se no mundo da ilusão. Pois somente nele, você possui o controle sobre a situação.
Afinal, o seu pensamento é a única coisa que ninguém pode dominar
!

sábado, 29 de agosto de 2009

QUISERA


Quisera eu ser um PáSsArO,
Ou simplesmente uma PoEiRa...
Ser um astronauta, ou uma EStReLa.
Quisera ser a lua, NuA...
Ser o sol, QuEnTe...
Ser uma flor, ser GeNtE.
Ser grande, forte, PrUdEnTe.
Quisera ser ágil, astuta, como uma SeRpEnTe!
Ser capaz de estilhaçar as regras, os códigos, CoNcEiToS.
Poder ser tudo o que a minha mente dEsEjAr,
E fazer nada que ao meu coração venha CoNtRaRiAr.
Porque mesmo que machuquem minha AlMa,
E meu corpo tentem aPrIsIoNaR,
Jamais conseguirão os meus pensamentos...

DoMaR!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Deixe entrar sem bater ( Sandra Paixão)


Deixe entrar sem bater meu caro amigo, os homens que morrem de frio, mais por falta de amor, do que por falta de agasalhos...
Deixe entrar sem bater, os que perderam o rumo nos trilhos complicados da existência. Talvez achem no céu do seu abraço, a estrela de Belém...
Deixe entrar sem bater, os que têm fome, mais de carinho, do que de pão, e reparta com eles o seu carinho que vale mais, do que o seu dinheiro.
Deixe entrar sem bater, os que chegam a pé, empoeirados e cansados, porque a passagem do destino era cara demais, e ninguém lhes pagou nem sequer um bilhete de terceira classe, no trem da felicidade...
Deixe entrar sem bater, os que nasceram a contragosto, porque a pílula falhou, e só foram recebidos porque não havia outro jeito...
Deixe entrar sem bater, os enjeitados no princípio: filhos de mães solteiras e do prazer criminoso e egoísta dos homens.
Deixe entrar sem bater, os enjeitados no fim: os idosos que deram tudo de si, que perderam as pétalas da vida em benefício dos outros, de seus filhos, e agora, são deixados de lado para murchar nos fundos dos asilos.
Deixe entrar como se fossem deles, aqueles que não tiveram tempo de ser criança, porque a vida lhes pôs uma enxada nas mãos, quando devia por nelas, algum brinquedo. Os que nunca tiveram sorrisos em seus lábios, porque a lágrima chegava sempre em primeiro lugar...
Deixe entrar sem bater, todos estes, sem temer que falte espaço, porque em um coração com amor, sempre cabe mais um, e até mais mil...
E depois que tiver a sala do peito lotada de infelizes, aleijados e famintos, você vai ter, amigo, a maior das surpresas, ao ver que a face torturada de tantos, se transforma de repente, no rosto iluminado e sorridente do Mestre Jesus, falando só pra você:

“Meu caro amigo, agora, é a sua vez de entrar”.
Pode entrar sem bater, porque a casa é sua!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Declaração de Amor (Luís Fernando Veríssimo)


Tentei dizer quanto te amava, aquela vez, baixinho, mas havia um grande berreiro, um enorme burburinho e, pensando bem, o berçário não era o melhor lugar.

Você de fraldas, uma graça, e eu pelado lado a lado, cada um recém-chegado, você sem saber ouvir, eu sem saber falar.

Tentei de novo, lembro bem, na escola. Um PS no bilhete pedindo cola interceptado pela professora como um gavião. Fui parar na sala da diretora e depois na rua enquanto você, compreensivelmente, ficou na sua. A vida é curta, longa é a paixão.
Numa festinha, ah, nossas festinhas, disse tudo: “Eu te adoro, te venero, na tua frente fico mudo”. E você não disse nada. E você não disse nada... Só mais tarde, de ressaca, atinei. Cheio de amor e cuba, me enganei e disse tudo para uma almofada.

Gravei, em vinte árvores, quarenta corações. O teu nome, o meu, flechas e palpitações: No mal-me-quer, bem-me-quer, dizimei jardins. Resultado: sou persona pouco grata corrido a gritos de “Mata! Mata!”por conservacionistas, ecólogos e afins.

Recorri, em desespero, ao gesto obsoleto: “Se não me segurarem faço um soneto”. E não é que fiz, e até com boas rimas? Você não leu, e nem sequer ficou sabendo. Continuo inédito e por teu amor sofrendo. Mas fui premiado num concurso em Minas.

Comecei a escrever com pincel e pichei um muro branco, o asseio que se lixe, todo o meu amor para a tua ciência. Fui preso, aos socos, e fichado. Dias e mais dias interrogado: era PC, PC do B ou alguma dissidência?

Te escrevi com lágrimas , sangue, suor e mel (você devia ver o estado do papel) uma carta longa, linda e passional. De resposta nem uma cartinha, nem um cartão, nem uma linha! Vá se confiar no Correio Nacional.

Com uma serenata, sim, uma serenata como nos tempos da Cabocla Ingrata me declararia, respeitando a métrica. Ardor, tenor, a calçada enluarada… havia tudo sob a tua sacada menos tomada pra guitarra elétrica.

Decidi, então, botar a maior banca e no céu escrever com fumaça branca:“Te amo, assinado..” e meu nome bem legível. Já tinha avião, coragem, brevê, tudo para impressionar você, mas veio a crise, faltou o combustível.

Ontem você me emprestou seu ouvido e na discoteca, em meio do alarido,despejei meu coração. Falei da devoção há anos entalada e você disse: “Eu não escuto nada”. Curta é a vida, longa é a paixão.

Na velhice, num asilo, lado a lado em meio a um silêncio abençoado direi o que sinto, meu bem. O meu único medo é que então empinando a orelha com a mão você me responda só: “Hein?”

sábado, 4 de julho de 2009

Intocáveis e Invencíveis ( Nelson Motta)


Não tenho mais nenhuma ilusão de um dia ver algum desses criminosos travestidos de parlamentares atrás das grades e devolvendo o que nos roubou. Eles são muitos, e invencíveis. Sob fogo cruzado de denúncias , juntam-se para se defender, como fizeram PT e PMDB no Senado, embora digam sempre que é pela instituição, a mesma que eles aviltam e apequenam com seus atos.
O dinheiro roubado de nossos impostos, teoricamente, pode até ser recuperado, mas o crime de desmoralizar uma instituição não tem preço.O que nos resta? Confiar na Justiça? Na Polícia? No ladrão? Com Sarney e Renam comandando o Senado e 'espantados' com a descoberta das 181 diretorias? A maior parte foi criada pelos dois. O resto, por Jader Barbalho, ACM e Lobão. E pior. Foram criadas por resoluções da Mesa e ninguém reclamou. E mesmo se reclamasse não adiantaria nada. Tudo dentro da Lei, na liturgia do cargo.
Seria um exagero comparar as disputas pelo poder no Congresso com as guerras de quadrilhas pelos pontos de venda de drogas nas favelas cariocas? Só porque uns vendem crack e cocaína e outros, privilégios e ilegalidades? Guerra é guerra, vale tudo na disputa pelos pontos de poder. Se um tiroteio é de balas, o outro é de números e nomes; mas sempre sobram balas perdidas. Mas, quando o cerco aperta, os dois bandos acertam um armistício: o verdadeiro inimigo é a Polícia. Ou, no caso do Senado, a opinião pública. Porque eles não temem a polícia. Nem à justiça. Eles só tem medo de perder eleição.
Diante do pacto de não agressão entre os dois bandos, resta-nos confiar nos ódios, nas invejas e nos ressentimentos das legiões de apadrinhados que estão perdendo a boca e se vingando de seus traidores. Que muitas falas perdidas encontrem seus alvos.
Diante da certeza de que eles vencerão, que jamais pagarão por seus crimes, que continuarão ricos e corruptos, e até mesmo respeitáveis, resta-nos ridicularizar suas figuras toscas, seus figurinos grotescos, seus cabelos tingidos, suas caras botocadas. Para que suas esposas e amantes leiam, e seus filhos se envergonhem deles no colégio.
Como nós nos envergonhamos todos os dias!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Dá-me a tua mão (Clarice Lispector)


Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Direito de quê mesmo, "esselênsias"? (Flávio Penna)


O Supremo Tribunal Federal decidiu pela desnecessidade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Até pode ser uma decisão sábia, mas não pelas razões apontadas pelo ministro relator. O voto do controvertido ministro Gilmar Mendes demonstra que não apenas os bons jornalistas se formam nas escolas. Os juristas também não se formam nos bancos escolares.
Desregulamentar o exercício profissional é uma questão ideológica. Pode-se discutir se o Estado deve ou não ser cartorial, com braços longos a controlar tudo, a regulamentar tudo. Essa poderia até ser uma discussão que levaria ao fim da exigência de diplomas para vários cursos, inclusive aí o de jornalismo.
Conhecer Direito, por exemplo, não exige que se freqüente bancos de escola. Tanto é verdade, que não é exigido diploma de formação jurídica a um candidato a ministro da Suprema Corte. Exige-se que tenha “notório saber”, não diploma. Por qual razão se exigir registro em conselho profissional de quem, por exemplo, assina um balanço financeiro de empresa com ações na Bolsa de Valores? Ou diploma de engenheiro para que seja autorizada a construção de uma pequena casa, que um bom mestre-de-obras pode realizar, sem riscos?
São alguns dos exemplos que poderiam dar espaço para uma grande discussão, envolvendo a necessidade ou não de diploma de nível superior. Há muito material para sustentar discussões sobre regulamentação ou não de profissão. Inclusive, na área de jornalismo. No caso do diploma de jornalista, “esselênsias”, o que não dá para aceitar é o argumento de que não se pode exigir a qualificação como pressuposto para o exercício da profissão, em nome da liberdade de expressão. Exigir, como alega sua “esselência” presidente, seria impor censura prévia.
Então, “esselências”, os senhores deveriam ter decidido também que, a partir de agora, todos os jornais e todas as emissoras de rádio e televisão devem abrir espaços para que qualquer um manifeste o seu pensamento. Se não abrirem, estarão exercendo censura prévia, impedindo que os cidadãos possam manifestar livremente o seu pensamento.
Com todo o respeito que as “esselências” do Supremo Tribunal Federal possam merecer, estes são argumentos risíveis.
O jornalista, “esselênsias”, quando reporta ao leitor, ao ouvinte, ao telespectador, que ministros ficam trocando e-mail durante uma sessão do tribunal, enquanto um deles lê um voto que pode ser o condutor de um julgamento; ou quando reporta que um ministro tem seus interesses na área de ensino, ou se comporta como um “velho coronel” em sua terra; ou ainda quando noticia que uma mãe matou a filha, não está, certamente, usando de seu constitucional direito de livre manifestação de pensamento. Está, profissionalmente, relatando fatos para a sociedade.
Raramente uma matéria jornalística contém manifestações de pensamento de seu autor. A opinião em relação a situações e fatos é, normalmente, dos veículos e é manifestada por meio de editorial.
Nem mesmo os colunistas, aqueles que têm espaço próprio nos veículos para escrever ou falar sobre assuntos diversos, pode-se dizer que estão exercendo direito de opinião. Na prática, estão, sim, exercendo a obrigação de emitirem suas opiniões, pois são pagos para isto. Claro que manifestam o que pensam, que têm liberdade. Mas sabemos, todos, que esta liberdade tem um limite, mais amplos em alguns, mais estreitos em outros. E estes limites, bem sabem “vossas esselênsias”, não estão sujeitos a controles jurisdicionais.
Então, senhores e também senhoras – para ser politicamente corretos -, tratem de sustentar seus votos em outros princípios. Se querem atender a este ou aquele interesse, que o façam, mas que apresentem outras razões.
Se estão mesmo convictos de que a desregulamentação deve acontecer, iniciemos logo a tarefa. Há, realmente, muito a ser mudado. Por exemplo, a vitaliciedade das “esselências”. Não se pode justificar a vitaliciedade com a necessidade de dar-se ao julgador segurança e independência e autonomia. Tudo isto, “esselênsias”, é uma questão de caráter, certamente não de salários elevados ou estabilidade no cargo. Por que não se discutir mandatos para ministros dos tribunais, ou para desembargadores? Esta não poderia ser uma forma de oxigenar o pensamento do Judiciário?
Como podem ver, “esselênsias”, a sociedade tem muito a discutir. Mas é preciso que as discussões se dêem de forma mais imparcial. Sobre pressupostos reais. Que suas “esselênsias” se preparem melhor para os próximos embates. Desta vez foi vergonhoso.

Flávio Penna é Diretor da Casa do Jornalista de Minas Gerais.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Confusão no nosso arraial ( Zuenir Ventura)


Embora este jornal em editorial e Luiz Garcia neste espaço já tenham advertido que o fim da exigência de diploma para o jornalismo não deve ser entendido como sinal para o fechamento das escolas de comunicação, nem como desprezo pela sua contribuição ao ensino da profissão, volto ao assunto porque o perigoso equívoco continua aparecendo na polêmica que cerca a decisão do STF. A confusão sobre o papel do jornalista é tanta que ele já foi comparado até a um chefe de cozinha.
A má compreensão aumenta com a ilusão criada pela internet de que qualquer um pode ser repórter: basta dispor de uma máquina fotográfica e da sorte de presenciar um acontecimento. Portanto, não custa reafirmar que ainda que o canudo não seja necessário, a formação é!
Começando pelo óbvio, a universidade constitui um avanço em relação ao autodidatismo e, mesmo imperfeita como a nossa, não pode ser dispensada, mas sim aperfeiçoada. Qualquer determinação em contrário cheira a obscurantismo. Não vale argumentar com as exceções: "Fulano foi um grande jornalista sem ter botado os pés numa faculdade." O presidente do STF citou o caso de García Márquez, Vargas Llosa, Nelson Rodrigues, deixando a impressão de que eles foram excelentes porque não tinham diploma.
Como o jornalista é um especialista em assuntos gerais que não precisa saber tudo, só saber quem sabe, alega-se que sua eventual carência teórica será suprida no dia a dia por especialistas de outras áreas. Trata-se de uma valiosa contribuição, mas que não substitui a formação universitária com todo o seu patrimônio cultural acumulado, além do ensino da língua. Um grande economista não será necessariamente um bom repórter de economia, da mesma maneira que o Prêmio Nobel de Química ou Física não será o editor ideal da seção de Ciência. Eles funcionarão melhor como fontes, articulistas, colaboradores. O que faz a diferença entre o especialista e o jornalista é a capacidade que este tem de traduzir o saber específico daquele numa mensagem palatável para um público leigo. Isso exige preparação técnica, know-how, aprendizado: como apurar, como escrever, como transformar em notícia, por meio de uma linguagem própria, um determinado conteúdo. Pode-se adquirir esses conhecimentos na prática, numa redação de jornal, como eu que, sem diploma, fui professor de jornalismo por 40 anos e sou jornalista há mais de 50. Mas é essa experiência atípica que reforça em mim a certeza de que é imprescindível a formação acadêmica. Ela não é tarefa das empresas.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Protesto (Daniela Costa)




Em um país, onde civis são mortos constantemente por traficantes que já se autodenominam como um poder paralelo, e que mesmo diante disto, um governador diz que está tudo sob controle, que a morte de uma, duas, três pessoas nestas condições é algo atípico...
Onde pessoas passam horas nas filas dos postos de saúde, para, quando atendidas, serem maltratadas, e mesmo assim, terem que aceitar que a classe exija a redução de sua carga horária de oito para seis horas, sendo que, os salários destes funcionários saem do nosso bolso...
Onde o presidente do Senado e o próprio presidente do Brasil, criticam o denuncismo da casa e da própria mídia, alegando que isto desmoraliza a instituição, ou seja, que o melhor é deixar que a podridão fique encoberta...
Onde utiliza-se dinheiro público para bonificar políticos que já ganham mais do que o suficiente para, geralmente, não fazerem nada pela sociedade...
Onde o preconceito é apenas camuflado e na primeira oportunidade, bombas são lançadas em manifestantes gays, e um dos participantes, é morto por espancamento...
Onde faz-se necessário fazer uso de liminar, para que, em eventos como o Fashion Week, ocorra a participação de um número maior de modelos negros.
Onde lançam-se leis, como a Lei Seca, que já nascem com prazo de validade, pois na prática, por falta de fiscalização, não são aplicadas.
Onde o cidadão, além de pagar horrores de impostos, ao estacionar o seu carro, também é coagido a pagar taxas extras para os flanelinhas, senão...
Onde os bandidos ficam soltos, e o povo, preso dentro de suas casas por falta de segurança...
Onde, em pleno século vinte e um, e em um país rico, com descoberta recente até mesmo de reservas de petróleo na costa brasileira, milhares de pessoas continuam morrendo de fome, sede, de descaso!
Em um país, onde a liberdade de expressão foi conquistada às custas de sangue...
Onde o jornalismo levou décadas para aproximar-se da imparcialidade. Onde profissionais da área de comunicação dão duro para saber escrever bem, falar bem, comunicar-se bem, fazer-se entender expressando objetivamente suas idéias, ser muito bem informado, ter um senso crítico aguçado, ter conhecimentos gerais sobre tudo e todos, buscando sim, denunciar os desmandos daqueles que se acham acima da lei.
Pois bem, é neste país, onde muita coisa precisa ser consertada e modificada urgentemente, que o Supremo Tribunal Federal decidiu, na última quarta feira, acabar com a obrigatoriedade do diploma universitário para o exercício do jornalismo. “A exigência do diploma para jornalistas fere a liberdade de expressão, um direito garantido pela Constituição”. O relator do processo, Ministro Gilmar Mendes, afirmou que: “Em se tratando de jornalismo, atividade umbilicalmente ligada às liberdades de expressão e de informação, o Estado não está legitimado a estabelecer condicionamentos e restrições quanto ao acesso à profissão e respectivo exercício profissional”.
Os Ministros também defenderam que não é necessário ter conhecimento técnico para exercer a profissão e que o diploma não afasta os maus profissionais. “O curso de jornalismo, portanto, não garante eliminação das distorções e dos danos recorrentes do mau exercício da profissão, que são atribuídos a deficiências de caráter, de retidão e ética”, disse o ministro Cezar Peluso.
Apenas um ministro, Marco Aurélio de Mello, foi contra a decisão, alegando que o jornalista deve ter uma formação básica que viabilize a prática da atividade profissional.
Creio que, talvez, em nosso país, ainda não se tenha a devida noção sobre a importância da profissão do jornalista. Com certeza, a distorção de caráter, independe da profissão, mas a ética e o profissionalismo característicos de cada área, não!
Acredito até que deveríamos ter faculdade que ensinasse aos políticos a ter moral. A gerir com honestidade o dinheiro do povo e a não se esquecerem que eles são nossos representantes. E mais, “deveria ser lei”, a apresentação de atestado de bons antecedentes de qualquer candidato a cargo público. Não seria fundamental para modificar este cenário de corrupção?!
Mas, dentre tantas questões relevantes, o diploma de jornalista é a grande preocupação do senado!
O fato de o estudante de jornalismo passar quatro anos preparando-se, adquirindo informação, conhecimento, técnica, prática, conhecendo a realidade da profissão, gastando tempo, dinheiro e dedicação, nada disso foi levado em conta. Devo concordar que qualquer um pode comunicar-se, mas fazer comunicação visando o bem estar social e tendo consciência das consequências que cada notícia pode provocar, isto, é para poucos!
Mas não se desesperem. Ainda há esperança para os futuros jornalistas que realmente acreditam e valorizam a profissão. A Federação Nacional dos Jornalistas não concordou com esta decisão, no mínimo, infeliz. “A não exigência do diploma é um golpe imenso na categoria no Brasil”, disse Sérgio Murillo, presidente da Fenaj.
O diretor da Associação Nacional de Jornais, ANJ, Paulo Tonet Camargo, afirmou que as empresas vão continuar exigindo o diploma. “A grande massa dos trabalhadores dos meios de comunicação tem formação superior de jornalismo e vai continuar tendo. Essa situação não vai se alterar. Em termos de emprego e contratação, não vejo alteração”.
E nós, estudantes de jornalismo, esperamos que o governo dê atenção às necessidades básicas dos cidadãos e que não promova um retrocesso e uma desqualificação, no que, a quarenta anos, têm contribuído para a execução do bom jornalismo no Brasil.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Show brasileiro nos EUA ( The New York Times)


Durante debate recente em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal (Brasil), CRISTOVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. Um jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro.
A resposta de Cristóvão Buarque foi:
"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo mais que tem importância para a humanidade. Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais.
Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como patrimônio cultural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimento nas fronteiras dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda Humanidade.
Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os atuais candidatos a presidência dos EUA têm defendido a idéias de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa.

Só nossa!"

(Esta matéria foi publicada no "The New York Times", no "Washington Post Today" e nos maiores jornais da Europa e Japão, no mês de agosto de 2001. No Brasil não foi publicada).

sábado, 23 de maio de 2009

Conviver em Sociedade (Daniela Costa)


Uma pessoa muito querida por mim, disse-me uma frase que ficou latente em meu pensamento: “Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas temos a obrigação de tratar a todos com educação”. Fiquei refletindo sobre como uma frase tão pequena pode surtir efeitos tão grandiosos, se colocada em prática.
Em nosso dia-a-dia, defrontamo-nos com situações desagradáveis a todo o instante. Afinal, viver em sociedade é uma imposição feita a todos, mas conviver em sociedade, é para poucos!
Como é difícil tornar homogênea e aceitável esta miscigenação de culturas, de crenças, costumes, posturas e vivências. Em todos os ciclos sociais dos quais participamos, existe um confronto de idéias, conceitos e preconceitos. E nem sempre é fácil abrir mão da bagagem de uma vida inteira, para concordar com as de seus semelhantes.
Conviver em sociedade, é ter como inevitável, o encontro das diferenças, e o desencontro de pensamentos. É entender que por mais que se deseje impor algum ponto de vista, em dados momentos, e não raros, concordando ou não, teremos simplesmente que aceitar.
Mas isto não significa que teremos que nos anular! Que deixaremos de ter nossas convicções, nossos ideais. Significa apenas que teremos que ser inteligentes, por que para se viver em sociedade, faz-se necessário ser perspicaz.
As pessoas não gostam de ouvir determinadas coisas, mesmo que sejam verdades, preferem manter um comportamento político, e na maioria das vezes, falso. Mas não se engane, nem todo mundo que lhe sorri, é confiável.
Em uma sociedade onde vive-se através das aparências, os mais ousados e francos, inevitavelmente serão julgados e condenados. Fugir do padrão da politicagem, é pedir para não ser aceito. E por pior que seja a constatação desta realidade, observa-se que é muito difícil viver fora dela. E para tornar as coisas um pouco mais fáceis, pode-se aplicar o conceito da frase inicial. Mesmo que você deteste o seu chefe, a sua sogra, o seu vizinho, o seu professor, o seu colega de sala, o seu companheiro de trabalho; e vá contra os seus princípios simular uma afeição, trate-o pelo menos com educação, pois assumir determinadas posições, pode lhe custar um alto preço!

Como diria Thomas Hobbes : "O homem é lobo do homem".

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Esperança (Daniela Costa)


A esperança é o que enche meu coração de alegria,

é o que preenche o vazio dos meus dias,

é o que me anima,

e renova minhas energias!


A esperança, é o que enche de felicidade minha alma,

é o porto seguro, o abraço acolhedor,

é a mão caridosa, que me acolhe e acalma,

é o ombro amigo, onde confidencio minha dor.


A esperança, é o que me permite sonhar,

é o que na vida, me faz acreditar.

É o que traz brilho ao meu olhar.

É algo, que nunca me deixa desanimar!


A esperança, é o que seca minhas lágrimas,

e abafa meus soluços.

É o que me faz vencer meus medos,

e superar todos os meus tropeços...


Ah esperança!

Tão doce e tão almejada,

quem dera todos nós a tivéssemos,

para seguirmos firmes em nossa jornada.




quinta-feira, 14 de maio de 2009

Hino Nacional (Carlos Drummond de Andrade)

Precisamos descobrir o Brasil!
Escondido atrás das florestas, com a água dos rios no meio, o Brasil está dormindo, coitado!
Precisamos colonizar o Brasil!
O que faremos importando francesas muito louras, de pele macia, alemãs gordas, russas nostálgicas para garçonnettes dos restaurantes noturnos. E virão sírias fidelíssimas. Não convém desprezar as japonesas.
Precisamos educar o Brasil!
Compraremos professores e livros, assimilaremos finas culturas, abriremos dancings e subvencionaremos as elites.
Cada brasileiro terá sua casa com fogão e aquecedor elétricos, piscina, salão para conferências científicas. E cuidaremos do Estado Técnico.
Precisamos louvar o Brasil!
Não é só um país sem igual. Nossas revoluções são bem maiores do que quaisquer outras; nossos erros também. E nossas virtudes? A terra das sublimes paixões...os Amazonas inenarráveis... os incríveis João-Pessoas...
Precisamos adorar o Brasil!
Se bem que seja difícil caber tanto oceano e tanta solidão no pobre coração já cheio de compromissos... se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens, por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão de seus sofrimentos.
Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado, ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós! Nosso Brasil é no outro mundo.
Este não é o Brasil. Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Ausência (Vinícius de Moraes)


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos... que são doces.

Porque nada te poderei dar, senão a mágoa de me veres eternamente exausto.

No entanto, a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida!

E eu sinto que em meu gesto, existe o teu gesto, e em minha voz, a tua voz.

Não te quero ter, porque em meu ser, tudo estaria terminado.

Quero só que surjas em mim, como a fé nos desesperados.

Para que eu possa levar uma gota de orvalho, nesta terra amaldiçoada.

Que ficou sobre a minha carne, como nódoa do passado.

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face, em outra face.

Teus dedos, enlaçarão outros dedos, e tu desabrocharás para a madrugada.

Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.

Porque eu encostei minha face, na face da noite, e ouvi a tua fala amorosa.

Porque meus dedos, enlaçaram os dedos da névoa, suspensos no espaço.

E eu trouxe até mim, a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só, como os veleiros, nos pontos silenciosos.

Mas eu te possuirei como ninguém, porque poderei partir.

E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas...

Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Indiferença (Daniela Costa)


Quando caí em mim mesma, e me enxerguei por inteira,
senti que uma dor profunda dilacerava o meu coração,
pois percebi todas as minhas falhas e fraquezas.
Constatei que, na ânsia de controlar o mundo,
não conseguia dominar nem a mim a mesma.
Minha alma se contorceu, se quebrou, e se desfez, pouco a pouco...
em meio a tantas angústias, e a tantas frustrações!
Descobri que para conquistar o mundo, teria primeiro que conquistar e respeitar a mim mesma.
Percebi também, que não era usando uma couraça de arrogância e agressividade,
que iria conseguir o respeito, e principalmente, o carinho das pessoas.
Quando eu imaginava que seguia em frente,
verifiquei que caminhava para trás, em um retrocesso constante...
e em plena decadência!
Meus conceitos, minhas exigências, minha imprudência, minha intolerância...
Não me permitiam ver o mal que tenho feito aos outros, e a mim mesma.
Quantas palavras mal ditas, quantos corações magoados.
Quantas pedras atiradas em alvos inocentes.
Quanta ignorância, ao pensar que aos berros, conquistaria a atenção de alguém.
O que consegui, foram apenas olhares de reprovação, daqueles que não tiveram a oportunidade nem mesmo de me orientar.
Quanto tempo desperdiçado, e quantas pessoas deixadas para trás,
perdidas na névoa do passado, em meio aos meus atos impensados!
E quanta tristeza senti, ao observar que minha colheita não poderia ser próspera, pois havia plantado...

Apenas indiferença!


quarta-feira, 6 de maio de 2009

Pense Diferente (Flávio Penna)


2009 está aí. Tem, como os outros anos, 365 dias. Aliás, os cientistas deram a ele um segundo a mais, o que significa que você terá mais tempo para realizar, em 2009, todos os seus sonhos e projetos.
Mas eu no seu lugar, não estenderia muito esta lista de propósitos. Faria apenas um compromisso. Um apenas para ter a certeza de que poderei me dedicar inteiramente a ele. Eu assumiria o compromisso de, em 2009, ser feliz.
É claro que emagrecer será muito bom, mas se não conseguir, vou ser feliz com os quilinhos a mais. O carro, a casa, o emprego melhor, tudo, se virar realidade, ótimo. Se não, vou ser feliz assim mesmo. Afinal, estou atrás de tudo isto a minha vida toda e não será, por não ter conseguido realizar tudo num ano, que vou me sentir infeliz, frustrado.
Alguém, não sei quem (são muitas pessoas falando muitas coisas), disse que tem mais presença em nós aquilo que nos falta. Se bem entendi, ele está chamando a atenção para a mania que temos de pensar muito mais no que não temos, do que naquilo que temos.
No ano novo, pense diferente. Valorize tudo o que você tem. Tudo mesmo, material e imaterial. Assim, se nos 365 dias, quatro horas e um segundo de 2009, houver perdas, e elas são inevitáveis, você poderá, mesmo assim ser feliz. Feliz por ter sido feliz com aquilo que Deus (se você acredita nele) ou o destino (se você acredita nele), lhe deu.
Enfim, seja feliz mesmo. Não se prenda ao que apenas lhe dá felicidade momentânea. Esta história de que felicidade não é algo contínuo, é papo furado de quem não se anima a ir atrás dela, se agarrando ao que lhe faz feliz no momento. Bom, mas esta é uma discussão complicada e se você, em 2009, quer só viver feliz, vá em frente. É o seu projeto.
Agora, se você quer ser feliz, neste ano que começa e nos que virão, faça o propósito, único, de ser feliz. Com certeza você vai conseguir realizar cada um de seus sonhos. Se alguns deles forem impossíveis na sua cabeça, faça uma troca. Coloque outro no lugar e esqueça aquele.
Quando você virar a folha do calendário, pense apenas no que conseguiu realizar na folhinha virada. Não lamente o que não conseguiu. Pelo menos no calendário, é vida nova. Viva esta vida intensamente.
Estou torcendo para que todos os bons “dades” acompanhem você no ano que começa:
Tenha liberdade. Dignidade. Capacidade. Lealdade. Mais idade. Autoridade. Simplicidade. Vaidade. Validade. Identidade. Humildade. Prosperidade. E por que não saudade, que é lembrança de coisa boa que vivemos.

Felicidades.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Limitações - (Fernando Pessoa)




Onde você vê um obstáculo,

alguém vê o término da viagem,

e o outro, vê uma chance de crescer.

Onde você vê um motivo pra se irritar,

alguém vê a tragédia total,

e o outro, vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,

alguém vê o fim,

e o outro, vê o começo de uma nova etapa.

Onde você vê a fortuna,

alguém vê a riqueza material,

e o outro, pode encontrar por trás de tudo,

a dor e a miséria total.

Onde você vê a teimosia,

alguém vê a ignorância,

e um outro, compreende as limitações do companheiro,

percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.

E que é inútil querer apressar o passo do outro,

a não ser que ele deseje isso.

Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.

Porque eu sou do tamanho do que vejo,

e não do tamanho da minha altura.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Fios de Prata (Daniela Costa)


É sempre assim, em um dado momento da vida, quando você menos espera, eles aparecem. Silenciosamente, sem alardes, nem aviso prévio. Chegam sorrateiramente, como se fizessem questão de lhe provar que você não possui o controle sobre tudo, e muito menos, sobre a linha do tempo.
Traiçoeiros, tentam se camuflar para mostrarem-se pouco a pouco. Podem ser interpretados de várias formas. Uns agregam-lhes valores, e os transformam em sinônimo de sabedoria e aprendizado. Outros, já os vêem de forma negativa, um sinal de que os dias estão se passando, sem retorno, como se não tivéssemos outra escolha, senão seguir em frente. Muitas vezes, eles nos provam que a infância e a juventude, são vividas apenas uma vez.
Eles também possuem o poder de nos fazerem refletir. Olhar para trás, e analisar nossas atitudes, sentimentos, emoções. Às vezes, assustamos-nos com o que já fomos capazes de falar, fazer e planejar...
Em certas ocasiões da vida, quando deparamos-nos nitidamente com eles, fazemos um retrocesso e visualizamos aquilo que foi aproveitado, e também tudo o que foi desperdiçado, e desprezado por nós. Nisto se incluem oportunidades que deixamos de lado, momentos especiais que não nos permitimos viver, e principalmente, pessoas que tivemos o dom de descartar!
Mas o lado bom de tudo isso, são aquelas saudosas recordações. Lembranças que fixaram-se em nossa memória através da solda do tempo. Quantos momentos alegres em família. O chamego da mãe, a seriedade do pai, as peraltices dos irmãos, as artes que fazíamos escondidos, achando sempre que ninguém nos descobriria. O primeiro amor, que no fundo, talvez não tenha passado de um sonho de criança. Os amigos queridos, eternamente guardados em nossos corações. Os sonhos de meninos e meninas de tornarem-se astronautas, médicos, veterinários, jogadores de futebol, cantoras, dentistas, modelos, artistas de cinema.
Quanta coisa boa eles, nossos tímidos fios de prata, nos fazem recordar, trazendo-nos a sensação de dever cumprido. Ao emoldurar nossas faces, estes, às vezes temidos cabelos brancos, afloram dentro de nós, lágrimas de gratidão, reconhecimento e respeito, por toda a nossa história, e por todos aqueles que fizeram parte dela!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O Analfabeto Político ( Bertold Brecht / Alemanha1898-1956 )



O pior analfabeto é o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, da renda
de casa, dos sapatos, dos remédios, dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro, que se orgulha e enche o peito de ar, dizendo que odeia a política.

Não sabe, o idiota, que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor
abandonado, e o pior de todos, os bandidos, que são os políticos vigaristas, ladrões,
os corruptos e lacaios exploradores do povo.






quinta-feira, 16 de abril de 2009

A verdade dói (Arnaldo Jabour)



- Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca. Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza; Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade... Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.

- Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão. Fazer piadinha com as imundíces que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada. Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai... Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

- Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira. Brasileiro é vagabundo por excelência. O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família), não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

- Brasileiro é um povo honesto. Mentira... Já foi; hoje é uma qualidade em baixa. Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.

- 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira. Já foi. Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime. Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3, mas não milhares de pessoas. Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.

- O Brasil é um pais democrático. Mentira. Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom, é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente. Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores).Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar. Democracia isso? Pense ! O famoso jeitinho brasileiro. Na minha opinião, um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira.

- Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar. No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeões do mundo né??? Grande coisa...

- O Brasil é o país do futuro. Caramba, meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram...

- Brasil, o país do futuro!? Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.

- Deus é brasileiro. Puxa, essa eu não vou nem comentar...

O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira. Para finalizar tiro minha conclusão: O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente. Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami, nem furacão.Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce!Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?

terça-feira, 14 de abril de 2009

Fazer valer a pena! (Daniela Costa)


O importante não é o jeito que se morre,
mas sim, a maneira como se vive!
O que adianta temer a morte,
se não se descobre uma boa razão para viver a vida?
Qual a vantagem de prender-se a regras e preconceitos,
se o sentimento que bate em seu peito,
pede algo mais?
O que adianta viver dentro dos limites, se sua mente é ilimitada?
Seus desejos, suas ambições, suas neuras, seus vilões...
Por que colocar tudo dentro de uma caixa, e encerrar em um porão?
Como diria Cazuza: “Só quem se mostra, é que se encontra”.
Então por que se esconder, se iludir e se render?
Enganar-se tentando ocultar de si mesmo sua essência, seus desejos e seus devaneios?
Por que viver em um mundo quadrado, se as possibilidades são redondas?
Se for verdade que a vida é uma só, aproveite o seu tempo, fazendo com que ela valha a pena!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Cinco Centavos (Daniela Costa)


Outro dia passei por uma situação inédita, e que fez-me refletir sobre as adversidades, a que nós, seres humanos, estamos sujeitos. Ao sair por volta das 22h30min da faculdade, acelerei o passo para não perder o tão esperado ônibus. Nesta semana em específico, posso dizer que os ânimos estavam um pouco exaltados na sala de aula. Tínhamos cinco provas, em apenas três dias! Após uma hora e meia de exame, confesso que saí meio desnorteada da faculdade. Quando cheguei ao ponto, para minha surpresa, ao retirar o dinheiro da bolsa para pagar a passagem, notei que estavam faltando benditos cinco centavos!
Não possuo o hábito de levar muito dinheiro comigo, carrego somente o necessário. Neste dia, tirei cópias de algumas matérias e descuidei-me deste detalhe. Ao perceber que o valor estava incompleto, pensei em algumas soluções para o problema.
A primeira, foi olhar para o chão e tentar encontrar alguma moedinha perdida por ali, o que nos dias atuais, está quase impossível! A segunda, foi tentar encontrar algum conhecido e pedir os tão necessários centavos, mas quando precisamos, é quase certo que ninguém irá aparecer. A terceira, foi entrar no ônibus e passar pelo constrangimento de explicar a situação ao trocador, e perguntar se poderia ficar devendo aquela pequena quantia, mas preferi evitar esta cena. A quarta, foi ligar para o meu namorado e pedir uma carona, o que me levaria a ficar pelo menos mais uns quarenta minutos esperando. E a quinta e última opção, foi ir para casa a pé, mesmo por que, a distância não era tão longa, e eu levaria apenas uns quinze minutos para chegar. Bom, não foi a opção mais segura, mas foi a que tomei, afinal, caminhar até que faz bem.

A história poderia até ser cômica, se não nos fizesse pensar sobre o quanto somos frágeis e dependentes do sistema capitalista no qual estamos inseridos. Neste caso, cinco centavos que aparentemente não fazem a diferença, fariam toda a diferença, nesta, e em muitas outras ocasiões! Fiquei pensando naquelas pessoas que passam por situações semelhantes, ou piores, diariamente. A realidade é que, infelizmente, aquele que não possui recursos financeiros, não consegue sobreviver com dignidade na sociedade atual.
Os estabelecimentos comerciais podem sempre oferecer bala como troco, mas o consumidor não pode ficar devendo um centavo que seja.
As tarifas das passagens de ônibus podem ser reajustadas de acordo com os interesses dos empresários do setor, mas o usuário, geralmente, não pode embarcar sem pagar.
Os supostos flanelinhas podem exigir que você pague um trocado, que muitas vezes é previamente estipulado, mas o governo, não perdoa o imposto que você não teve condição de pagar, e também não garante sua segurança e seu direito de ir e vir.
Os boletos bancários de contas como aluguel, água, luz, cartões de crédito, lojas de roupas; podem ser pagos adiantados sem nenhum abatimento, mas se a conta for paga com atraso, os juros jamais serão perdoados.
O departamento de trânsito e as auto-escolas, podem cobrar horrores de taxas para se tirar uma carteira de motorista, e podermos circular livremente com nossos veículos. Já os motoristas, não podem deixar de pagar o seguro obrigatório, o IPVA, e muito menos as temíveis multas.
As empresas de telemarketing e as instituições bancárias, podem cobrar tarifas altíssimas, para oferecer um atendimento que beira ao descaso.
Nas universidades, os alunos têm que pagar em dia suas mensalidades para não terem que passar por longos processos de negociação, que na maioria das vezes, não os beneficiam. Em contrapartida, as escolas podem oferecer um ensino de má qualidade.
As leis progrediram, o país foi democratizado, o povo conquistou o direito do sufrágio universal e a tão sonhada liberdade de expressão. Mas parece que neste mundo, onde o capitalismo impera, continuamos à mercê do antigo coronelismo da república velha, onde quem manda, é quem pode pagar mais!
Continuamos dependentes do governo, das empresas, da justiça, da polícia, da política, e da boa vontade de muita gente. E neste caso, cuidado com o seu precioso dinheiro, pois provavelmente você não será tão bem sucedido, se não o tiver!

terça-feira, 24 de março de 2009

Amar (Daniela Costa)


Quem inventou este tal de gostar, esqueceu de avisar que amar, às vezes também significa sofrer.
Quando amamos, nos tornamos extremistas, e os sentimentos se afloram, em uma erupção constante.
Nosso coração segue em uma infinita roda de vento, indo e voltando a todo o instante!
Em um dado momento, amamos loucamente...
Em outro, odiamos intensamente...
O vai e vêm de emoções, altera nossos sentidos, invade nosso corpo e alma.
Tira o nosso sono, perturba nossos sonhos.
A vida se torna um carrossel desenfreado, onde perdemos as rédeas de nós mesmos.
Mas amar, também significa perdoar, e quando necessário, também significa pedir perdão!
Quando, nos tortuosos caminhos de nossos destinos, tivermos a felicidade de encontrar um grande amor, devemos ter a consciência de que amar, é também renunciar a si mesmo.
Muitas vezes, é fazer algo que não se quer, só para ver um sorriso iluminar a face de quem se ama, ou para ver em seus olhos, o brilho da gratidão!
É... amar é uma confusão!
Mas triste daquele que viveu toda uma vida, sem ter sentido as confusões de um grande amor!

segunda-feira, 16 de março de 2009

SOS CORAÇÃO (Daniela Costa)


Certa vez li uma mensagem, que dizia que o coração das pessoas assemelha-se a uma folha de papel, que uma vez amassada, jamais voltará ao seu estado normal.
A princípio, soa como uma associação tola. Mas não é. Faz todo sentido do mundo!
Como fazer com que um coração ferido, magoado, maltratado, volte a ficar sadio? Como apagar suas cicatrizes?
Será que o simples fato de nos arrependermos, nos desculparmos, é o suficiente para fazer este milagre, curar um coração?
Não, não é!
As palavras mal ditas, adoecem o corpo e a alma de quem sofre suas agressões. Resultam em angústias, depressões, síndromes do pânico, baixa auto-estima e desvalorizam o ser humano.
Talvez sejam fáceis de serem esquecidas por aqueles que as proferem. Mas quem as ouve, será capaz de deletá-las?
E por que será que continuamos agindo como tolos, como pessoas incapazes de nos moldarmos?
Qual a vantagem de termos uma sociedade cheia de indivíduos descontrolados?
Ter o temperamento explosivo, não é justificativa para se dizer o que quer, quando quer, e para quem quiser. Afinal, se o temperamento é seu, por que é que as pessoas ao seu redor, é que devem sofrer as consequências?
Provavelmente seja muito fácil falar. Difícil mesmo, é controlar a raiva. Mas se começarmos a perceber o quanto somos ridículos nestes momentos de fúria, teremos força para renovarmos nossas atitudes.
A vida é muito curta e as pessoas muito valiosas, para deixarmos à beira de cada estrada que percorrermos, as marcas da nossa ignorância! Tenhamos consciência de nossa responsabilidade enquanto seres humanos. Ao invés de deixar cicatrizes, deixe gratidão, saudade, consideração, respeito e amor, no coração de cada um que você tiver a felicidade de conhecer.

quarta-feira, 11 de março de 2009

A Morte - Pedro Bial


A morte, por si só, é uma piada pronta.

Morrer é ridículo.

Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde, morre.

Como assim?

E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

Não sei de onde tiraram esta idéia: MORRER!!!

A troco de quê?

Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente.

Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu.

Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...

De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.

Qual é?

Morrer é um chiste!

Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.

Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, dependuradas também algumas contas.

Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.

Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.

Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã.

Isso é para ser levado a sério?

Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo?

Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.

Morrer é um exagero.

E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.

Só que esta não tem graça.

Por isso, viva tudo que há para viver.

Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida.

Perdoe... Sempre!

Adiar...Adiar...Adiar...

Será sempre o melhor dos caminhos?

terça-feira, 10 de março de 2009

O que você vai fazer de sua vida hoje? (Daniela Costa)


Recebi um email com slides que fizeram-me refletir sobre a grandiosidade desta questão: O que eu vou fazer da minha vida hoje?
Lá dizia que era necessário pensar bem em quais seriam minhas escolhas. E a justificativa para isto era simples, porém, de infinita sabedoria.
A mensagem sugeria que eu fosse cuidadosa, pois estaria trocando um dia de minha vida, por aquilo que havia escolhido. E isto é simplesmente fantástico!
Significa que a escolha está em nossas mãos. Que poderemos deixar que os minutos se percam entre lágrimas, lamúrias, tristezas e rancores, ou que tudo pode ser modificado, se mudarmos o rumo de nossos pensamentos e atitudes.
Um dia de nossas vidas, é muito para se perder. As oportunidades, as pessoas, os momentos; são únicos!
Por mais que a rotina se instale em nosso dia a dia, um dia, nunca será igual ao outro. As palavras ditas, os casos contados, os sorrisos, os desejos, as aflições; nada irá se repetir. Por isso, o tempo torna-se precioso demais para ser desperdiçado. Para ser trocado por mesquinharias e ociosidades, pela improdutividade e falta de criatividade.
O tempo, este grande manipulador de nossas histórias, poderá ser utilizado contra, ou a nosso favor. Poderemos construir nosso presente e desconstruir aquilo que nos fez mal no passado.
Quem sabe possamos pensar em soluções, ao invés de problemas? Em solidariedade, respeito e caridade, ao contrário de sofrimento e dor?
O que você vai fazer de sua vida hoje?
Talvez eu possa sugerir que trabalhe, estude, corra atrás de seus objetivos. Mas sugiro também que ame, que faça algo por prazer, e não somente por que tem que fazer. Que preocupe-se com as urgências da vida, mas que dê atenção aos seus pormenores. Que observe os seus detalhes, e visualize os seus encantamentos. Que delicie-se com uma boa música, um bom café, com um bichinho de estimação, com as flores, com a luz do sol, com o ar puro, com as estrelas, ou que simplesmente, apaixone-se por si mesmo.
O que você vai fazer de sua vida hoje?
Resta a você, escolher!


sábado, 7 de março de 2009

O mundo dos estereotipados (Daniela Costa)


Fico pensando no sentido exato da palavra “Preconceito”. Sim, porque nem sempre ele é explícito, descarado. Muitas vezes ele é traiçoeiro, dissimulado, mas nem por isso, deixa de ser voraz.
O preconceito é uma doença contagiosa, e seu antídoto, está longe de ser criado. Ele se apresenta de formas variadas. Existem aquelas manifestações mais sutis, como aquele risinho irônico, aquele olhar enviesado, ou aquela indiferença mal dissimulada. Em algumas ocasiões, ele se apresenta de forma mais agressiva, escancarada. É quando se ofende a cor, o credo, as crenças políticas, sexuais, o time de futebol, ou até se xinga a mãe de alguém. Na maioria das vezes, julga-se os outros por sua condição social, como se em sã consciência alguém tivesse escolhido nascer pobre, e viver na miséria.
Existem aqueles que dizem não ter preconceito, mas na primeira oportunidade que tém, se referem às pessoas através de estereótipos do tipo: “O filho da minha empregada”, “A mulher do porteiro do meu prédio”, ou até, “A menina que trabalha lá em casa”. Será que estas pessoas não possuem nome?
Outras vezes, quando o problema é pessoal, tende-se a desacatar a vizinha, “que por ser gostosona, é considerada uma desavergonhada”, o colega de sala, “que por tirar boas notas, é claro que é um baba ovo”, o companheiro de trabalho, “que por ter um bom relacionamento com o chefe, é um puxa saco”, a amiga, “que por ser bonita, é metida”, e assim vai se estereotipando todo mundo que se encontra pela frente.
As empresas abrem vagas, e muitas vezes, só contratam por indicação. Qual o problema com o resto da população? Será que não merecem uma chance para tentarem se inserir no mercado de trabalho?
Quando é um processo aberto, os profissionais que realizam a seleção nem sempre estão preparados para a função. É, porque se olharem para você e se sentirem ameaçados, esquece! Se por uma falta de sorte você for mais bonito, mais comunicativo, mais inteligente que o entrevistador, foi-se para o ralo a oportunidade de conseguir um novo emprego.
O crivo do preconceito é bem pessoal. Alguns professores, quando dominam uma determinada disciplina, olham para os alunos como se eles fossem uns ignorantes. Como se os alunos tivessem passado uma vida inteira, por conta de estudar aquele assunto.
Alguns chefes, mal cumprimentam seus subordinados, por se sentirem na mais alta esfera do espaço sideral. Sendo que educação, dizem, vem de berço. E a prepotência, deve ter nascido junto, no mesmo parto né?
O jovem que conhece de carros, motos, fala inglês, francês, viaja sempre para o exterior, se sente superior ao rapaz que trabalha na roça, conhece de boi, vaca, plantação, horta, e de vez em quando, vai à cidade. Agora, superior em quê? Não é através do trabalho de milhares de agricultores, que a sociedade se mantém?
A menina, que com suas madeixas lisas e loiras, se sente mais bonita que a colega que possui cabelos negros e crespos. Mas, não é verdade que a beleza está nos olhos de quem vê? Então, rendamos graças à diversidade genética. Senão, seríamos todos, literalmente iguais.
A madame, que esbanja dinheiro comprando roupas de grife, bolsas e sapatos importados, muitas vezes desdenha o vestuário simples das demais mulheres. Mas qual a diferença? O fato de alguém não se vestir como uma Barbie, influência em seus valores, em sua postura ética, profissional ou pessoal?
O cara, que curte um som sertanejo, música de raiz, é inferior ao que ouve ópera? Não seria uma questão puramente de gosto musical?
Pois é, o mundo dos estereotipados é bem amplo e seria impossível especificar todos de uma só vez, e é bem provável que todas sejamos vítimas e algozes neste universo. O que vai fazer a diferença, é o ponto de vista de cada um. O que não podemos esquecer, é que no final, tudo e todos, possuem o seu valor. E todos, mais cedo ou mais tarde, irão retornar ao pó.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Como realizar seu sonho ( Roberto Shinyashiki)


Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes.
Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo.
Se quiser um casamento gratificante, terá que investir tempo, energia e sentimentos nesse objetivo.
O sucesso é construído à noite!
Durante o dia você faz o que todos fazem.
Mas, para obter um resultado diferente da maioria, você tem que ser especial.
Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados.
Não se compare à maioria, pois infelizmente ela não é modelo de sucesso.
Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chope com batatas fritas.
Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão.
Terá de trabalhar, enquanto os outros tomam sol à beira da piscina.
A realização de um sonho depende de dedicação.
Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica. Mas toda mágica é ilusão, e a ilusão não tira ninguém de onde está. A ilusão é o combustível dos perdedores.
“Quem quer fazer alguma coisa, encontra um meio".
"Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa".

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Embrutecimento do Ser Humano (Daniela Costa)


Muitas vezes nos questionamos sobre o que é certo ou errado, ético ou não, sobre nossas convicções, e principalmente, sobre a opinião alheia. Ontem mesmo, ouve um acirrado debate na faculdade sobre o documentário “O Prisioneiro da Grade de Ferro”, realizado no extinto complexo penitenciário do Carandiru, pelo diretor Paulo Sacramento.
Para quem ainda não teve a oportunidade de assistir, o filme faz refletir sobre o sistema carcerário brasileiro, mostrando o dia a dia dos presos. O grande diferencial na verdade, foi a forma inovadora que o autor utilizou para obter as imagens, deixando que os personagens principais da trama, gravassem sua própria história. A intenção era fazer um documentário imparcial, mostrando todos os lados da moeda. E mesmo sabendo que a imparcialidade total não existe, creio que o autor se aproximou muito de seu propósito inicial.
O fato é que este tipo de trabalho gera sentimentos diversos àqueles que o assistem. Cada telespectador terá uma visão diferenciada sobre o assunto. Nossa orientadora, como manda o figurino, quis mostrar aos alunos a necessidade de assistir a este documentário, apenas observando os fatos, sem tomar partido, sem fazer pré-julgamentos, ou , como adoram dizer, sem cair no senso comum. Afinal, aqueles que estão lá, no presídio, já foram julgados e condenados pela justiça. O que realmente faz sentido, partindo do princípio que estamos falando de uma turma de estudantes de jornalismo, e não de direito. E sabendo também que a função do jornalista jamais foi a de julgar e condenar, e sim, apenas levar a informação à sociedade, seja ela qual for, baseando-se, é claro, na verdade.
Mas, deixando de olhar o curso em específico e passando a analisar o ser humano por trás do diploma, qual será a opinião de cada um?
Nossa orientadora, ficou chocada, ao perceber que alguns alunos não se sensibilizaram com a situação dos presos ao assistirem às péssimas condições do presídio, a má alimentação, a falta de segurança, a violência interna, a escassez de apoio médico e a precariedade generalizada. Nem mesmo quando foram exibidas cenas de corpos mutilados, muitos alunos, não se condoeram.
Outros, defenderam os direitos humanos, culparam a sociedade, o governo, o sistema, como se isso justificasse a prática da violência.
Mas será mesmo que nascer pobre, sentir fome, frio, sede, não ter oportunidades, será que por pior que seja a condição do ser humano, isso é o suficiente para justificar crimes hediondos, como os praticados contra o menino João Hélio, arrastado por quarteirões? Contra a menina de seis anos, estuprada e morta no triângulo mineiro, ou contra um casal de jovens, que em um momento de lazer, decidiram prestar socorro a um suposto agonizante, e foram rendidos, ocasionando a morte do rapaz e a perda da sensibilidade das pernas da jovem, que além de ser baleada, também foi covardemente estuprada? Será que as más condições sociais, justificam que qualquer um cometa qualquer tipo de crime, contra seu semelhante?
A realidade nos mostra diariamente uma sociedade que se torna cada vez mais endurecida. Já não nos chocamos ou comovemos com as barbáries ocorridas, pois afinal, elas ocorrem constantemente. A atrocidade de ontem, já não é lembrada amanhã, pois outros acontecimentos similares já se tornaram notícia.
Fatos que deveriam ser motivo de protestos, de manifestações, de abaixo assinados, de um movimento conjunto da população, tornam-se corriqueiros, normais, e isso, é terrivelmente assustador.
As pessoas parecem não mais se importar, simplesmente deixam que o medo e a violência as paralisem.
E se eles, os algozes, não têm piedade de homens e mulheres de bem, pessoas que trabalham honestamente e lutam por condições melhores de vida, pais e mães que criam com sacrifício seus filhos, jovens que tentam desesperadamente encontrar um lugar ao sol, brasileiros que diante de tantas dificuldades, negligências, carências, persistem bravamente, como esperar que se defenda os direitos humanos de seres, que não nos parecem humanos?
Como acreditar na justiça, se mesmo quando ela é feita, vidas já foram perdidas? Por que esperar que as tragédias sociais aconteçam e deixem seus rastros catastróficos, para depois tentar remediar, o que já não tem remédio? Por que nós, os governantes, pensadores, filósofos, estudantes, trabalhadores, operários, a massa, não tentamos lutar contra esse mal, que está nos destruindo pouco a pouco?
Se a raiz do problema parte de uma sociedade extremamente capitalista, individualista, consumista e desigual, por que então não mudar práticas e conceitos falhos e ultrapassados? Por que não rever as leis que se baseiam em uma sociedade pré histórica e não acompanham a realidade? Por que aceitarmos que poucos decidam sobre o rumo de nossas vidas, sem questionarmos sua conduta, sua ética, seus desmandos, e sem exigirmos que cuidem do nosso povo, que sarem nossas feridas, fazendo o que estão sendo pagos por nós para fazer? Que distribuam o dinheiro cobrado do povo de forma justa, sanando suas necessidades essenciais. Que nos ofereçam o que nos pertence por direito, que é o acesso à saúde, à alimentação, à educação, ao trabalho e principalmente que devolvam a nossa dignidade.
A que ponto ainda mais grotesco e repugnante teremos que chegar para começarmos a mudar esta realidade? O fato é que todos estamos sujeitos às falhas deste sistema contaminado e corrompido. Todos estamos expostos às suas trágicas conseguências, e é por isso, que o problema é de todos nós. Afinal, quem são os verdadeiros prisioneiros das grades de ferro, os moçinhos ou os bandidos?
E quem são os verdadeiros culpados por termos chegado a este estado total de degradação humana?